segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Balanço final das actividades do Clube (2012/2013)

Após o post anterior, sobre a participação do Clube de Ciências na VII MOSTRA NACIONAL de CIÊNCIAS/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores, chega-se agora ao post final desta etapa na história do Clube, relativo ao balanço de actividades do ano lectivo 2012/2013, bem como ao encerramento do ciclo iniciado há 3 anos atrás com a colocação dos professores contratados Laura Pinto e Orlando R. Gonçalves na Escola Básica Roque Gameiro, que deram continuidade ao projecto iniciado pelas professoras Isabel Borges e Adelaide Rebelo no ano lectivo de 2006/2007. 

Em termos globais, e não obstante a redução do número de professores coordenadores do Clube em 2012/2013 (com a partida da prof.ª Laura Pinto), atendendo às fichas de auto-avaliação preenchidas pelos alunos e ao leque de actividades desenvolvidas pelo Clube (ver aqui, aqui e aqui, para alguns exemplos), o balanço do trabalho realizado é francamente positivo, considerando o prof. coordenador que os fundos concedidos pela Câmara Municipal da Amadora, ao abrigo do Eixo 3 do PAPSE, foram bem empregues (cf. relatório de actividades aqui). Por sua vez, a lista completa de alunos que frequentaram o clube, no presente ano lectivo, pode ser consultada aqui.

Para além do trabalho anterior, durante o mês de Julho, procedeu-se à actualização e reorganização do inventário de materiais do Clube, bem como à plastificação do póster do projecto levado à VII Mostra Nacional de Ciência, após a divulgação deste junto da comunidade escolar na vitrine da entrada da escola, como mostram as fotografias abaixo.

Os documentos que constituem o inventário supracitado podem ser consultados aqui, aqui, aqui e aqui. Em termos de armários, os materiais do Clube ficaram distribuídos da seguinte forma: 
  • armário 1: materiais de física, de trabalhos oficinais e trabalhos/projectos práticos executados por alunos do Clube;
  • armário 2: mini-biblioteca do Clube, equipamento laboratorial e reagentes de química.
O dinheiro do Clube que sobrou até Julho ficou alocado à aquisição de material didáctico para o Clube e para o Grupo de Física e Química da escola, esperando-se a recepção do material solicitado no início do próximo ano lectivo.

Com esta última referência, fecha-se a porta do Clube de Ciências relativamente ao ano lectivo 2012/2013, esperando-se a continuidade deste Projecto de Enriquecimento Curricular ainda por muitos mais anos, dado o caminho já percorrido desde 2006, com especial ênfase para os últimos três anos, pelo menos no que concerne ao último professor coordenador.

Assim sendo, e dada a crescente instabilidade nos concursos de colocação de professores de há dois anos a esta parte, o actual professor coordenador deixa aqui a sua despedida e votos de sucesso não só para o Clube de Ciências, mas também para todos os professores - especialmente do Grupo de Física e Química - e funcionários da Escola Básica Roque Gameiro com quem trabalhou, desejando que todos os desafios que se avizinham possam ser superados com empenho, entusiasmo e orgulho na profissão.

O professor coordenador do Clube de Ciências Roque Gameiro Explorer (2010/2013)
Orlando R. Gonçalves

sábado, 7 de setembro de 2013

Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda: participação na VII MOSTRA NACIONAL de CIÊNCIA/21º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores (30 Maio a 1 Junho)

Seleccionado como um dos 100 projectos finalistas da
VII MOSTRA NACIONAL de CIÊNCIA/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores, o projecto realizado pelos alunos André Gonçalves, Luís Miguel Gil e Daniel Domingues (da turma 9.º/6.ª), cruzando conhecimentos de estatística com trabalhos oficinais e a abordagem realista de Karl Popper à famosa experiência da dupla fenda [detalhes do projecto podem ser consultados aqui, aqui, aqui e aqui], acabou por ser um dos dois únicos projectos a representarem o concelho da Amadora no evento - o outro projecto foi de alunos da Escola Profissional Gustave Eiffel.

Mais relevante ainda, atendendo à esmagadora presença de alunos dos Ensinos Secundário e Técnico-Profissional (reflectida numa média de idades dos participantes de 17 anos), o projecto dos alunos do Clube de Ciências foi o único projecto de Ciências Exactas (na área científica de Matemática) realizado por alunos de Ensino Básico, todos eles com 14 anos de idade.

As fotografias abaixo documentam a participação do Clube de Ciências na Mostra Nacional de Ciência, realizada entre 30 de Maio e 1 de Junho no Museu da Electricidade de Belém.

Fig. 1: Os alunos do Clube de Ciências participantes na VII Mostra Nacional de Ciência/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores: Daniel Domingues, Luís Miguel Gil e André Gonçalves. 
Fig. 2: Dois dos alunos anteriores com o professor coordenador do projecto, Orlando R. Gonçalves.
Fig. 3: Entrada do pavilhão onde decorreu a VII Mostra Nacional de Ciência/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores, com o mapa de localização dos vários projectos em competição.
Fig. 4: Identificação do projecto do Clube de Ciências (um dos três únicos na área científica de Matemática a concurso) no mapa anterior. 
Fig. 5: Momento de descontração dos alunos do Clube de Ciências, após montagem da banca do projecto [onde são visíveis as duas tábuas de Galton construídas pelos alunos e o póster científico elaborado para o concurso], no 1.º dia da competição (30 de Maio).  
Fig. 6: Outra perspectiva da banca do projecto do Clube de Ciências, sendo bem visível a identificação do projecto como pertencente à área científica de Matemática.
Fig. 7: Cerimónia oficial de abertura da VII Mostra Nacional de Ciência/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores (30 de Maio).
Outros projectos interessantes que estiveram presentes na Mostra Nacional de Ciência podem ser vistos nas fotografias abaixo: 
Fig. 8: O projecto 'Efeito ondulatório no movimento de um conjunto de pêndulos' (área científica de Física), vencedor de uma menção honrosa. Realizado por alunos do 10.º ano da Esc. Secundária Fernão de Magalhães (Chaves).
Fig. 9: O projecto 'Avaliação de um biofertilizante como agente de controlo contra o nemátodo do pinheiro' (área científica das Ciências do Ambiente). Realizado por alunas do curso secundário de Biotecnologia do Colégio Internato dos Carvalhos (Vila Nova de Gaia).
Fig. 10: Dois projectos de engenharia, lado a lado: o projecto 'Simulador Racing' de alunos da Escola Profissional de Felgueiras e o projecto 'SmartHouse - a casa inteligente' de alunos da Escola Profissional de Cortegaça.
Além da competição, foram organizadas (quer para alunos, quer para professores) visitas guiadas ao Museu da Electricidade, sendo de destacar a sala com modelos de centrais eléctricas...
Fi. 11: Vários modelos de centrais de produção eléctrica: parque eólico, central de painéis fotovoltaicos, reactor (ou usina) de biomassa e furo de geotermia. 
Fig. 12: Modelo da barragem de Castelo de Bode, situada nos limites dos concelhos de Tomar e Abrantes, utilizada para abastecimento de água a Lisboa e produção de energia eléctrica.
Fig. 13: Modelo da antiga barragem do Lindoso, situada nos limites do distrito de Viana do Castelo, perto de Espanha. Entrou em funcionamento em 1922 e foi substituída em finais da década de 1980 pela barragem do Alto-Lindoso.
e o espaço das experiências interactivas, com destaque para o equipamento de produção de arcos voltaicos e o globo de plasma (ver vídeos abaixo):

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A cerimónia oficial de encerramento da Mostra Nacional de Ciência decorreu a 1 de Junho, onde se entregaram os prémios e menções honrosas aos projectos vencedores. A fotografia abaixo ilustra a entrega do prémio ao 1.º classificado: 
Fig. 14: O projecto classificado em 1.º lugar na VII Mostra Nacional de Ciência, intitulado 'Astrofísica experimental na área da espectroscopia: determinação de temperaturas e classificação espectral de estrelas'. Projecto realizado por alunos do 12.º ano da Escola Secundária D. Maria II (Braga).
Tal como em 2012, a participação do Clube de Ciências na Mostra deste ano saldou-se como positiva, dado o apuramento de um dos projectos submetidos pelo Clube para a final (o outro projecto, 'Vela Mágica - construção de um circuito electrónico LDR básico', acabou por não ser bem sucedido).

Nunca tendo antes ouvido falar de Karl Popper ou da experiência da dupla fenda, os alunos do projecto apurado consideraram que este foi uma boa experiência de aprendizagem, contribuindo para a sua formação científica, cultural e cívica, não obstante alguma falta de organização e de responsabilidade em determinadas fases do projecto. Em face de todo o trabalho desenvolvido, a sua prestação global, no Clube de Ciências, foi avaliada com a menção de Bomˉ.
 
A esse nível, e dado o esforço dispendido no consecução do projecto, quer pelos alunos, quer pelo professor coordenador, a participação na Mostra Nacional de Ciência acaba por se pautar por um aspecto menos positivo: o excessivo enfoque da organização e do júri no Ensino Secundário, acabando por passar quase despercebido e não reconhecido o trabalho dos alunos do Clube de Ciências, com apenas 14 anos, não obstante o apuramento do seu projecto entre os 100 melhores dos 130 que se submeteram electronicamente a concurso.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda: resultados e conclusões do projecto

Prosseguindo o post anterior, relativo ao método e materiais utilizados pelos alunos na concretização do projecto, apresentam-se agora os resultados alcançados.

Concluída a construção das duas tábuas de Galton (cada uma com 5 'caixas' na base, identificadas pelos números -2, -1, 0, 1 e 2, da esquerda para a direita), os alunos procederam à parte experimental do projecto propriamente dita:

a realização de 8 séries de quedas de 54 esferas metálicas a partir [da parte central] do topo de cada uma das tábuas de Galton, de modo a poder comparar, pelo teste do qui-quadrado, as distribuições de frequências dos resultados obtidos nas duas tábuas de Galton, uma normal (com todos os 'pregos') e a outra sem um dos 'pregos'.

A fotografia ao lado mostra os resultados obtidos na 8.ª série de quedas realizada na tábua de Galton sem um dos 'pregos' (ausência pintada a vermelho na tábua).

Os resultados obtidos em cada uma das tábuas encontram-se organizados nas duas tabelas abaixo.

Estes resultados são facilmente visualizáveis nos dois gráficos abaixo, onde se torna evidente a diferença entre as distribuições de frequências obtidas nas duas tábuas de Galton [dispostas lado a lado na fotografia imediatamente a seguir aos gráficos, em conjunto com os alunos do projecto, Daniel DominguesLuís Miguel Gil e André Gonçalves, todos da turma 9.º/6.ª]:


Observando os dois gráficos anteriores, duas situações destacam-se:
  1. forma típica da curva de distribuição normal é bem visível no 1.º gráfico, construído a partir dos resultados obtidos na tábua de Galton normal;
  2. a caixa 2 apresenta frequências bastante elevadas e praticamente iguais em ambos os gráficos, um efeito explicado pelas chamadas condições de fronteira: as ripas de madeira colocadas lateralmente e a largura escolhida para as tábuas. Esse efeito, porque replicado nas duas tábuas, acaba por não ser significativo para a validade da experiência realizada pelos alunos.
Aplicando as noções aprendidas no Clube de Ciências sobre o teste do qui-quadrado (ver aqui para mais detalhes), e de modo a poderem determinar o grau de afastamento entre as distribuições de frequências obtidas nas duas tábuas de Galton, os alunos calcularam o seguinte valor do qui-quadrado:
onde o significado dos graus de liberdade (g.l.) pode ser encontrado aqui, novamente. Consultando a tabela de probabilidades abaixo, para 4 g.l.,
tem-se um valor crítico de 13,28, para um nível de probabilidade de 1%. Como o valor calculado do qui-quadrado é 34,144 > 13,28, pode dizer-se que a probabilidade de os resultados obtidos se deverem ao acaso é, no máximo, de 1%, pelo que, com um nível de confiança de, pelo menos, 99%, se pode concluir que as duas tábuas de Galton originaram distribuições de frequências significativamente diferentes.

Conclusões
Assim, e pelo menos para as tábuas de Galton construídas no Clube de Ciências, pode-se concluir que os alunos obtiveram resultados em favor da interpretação realista de Karl Popper da experiência da dupla fenda, mostrando, tal como Popper defendia, que experiências estatísticas - como as anteriores realizadas com tábuas de Galton ou as experiências de difracção de electrões por uma ou duas fendas, na visão de Popper - são altamente sensíveis às condições laboratoriais, bastando a alteração de um pequeno pormenor (como a retirada de um dos 'pregos' numa tábua de Galton) para afectar significativamente a distribuição de probabilidades, ou propensão, de cada acontecimento individual.

Com este projecto os alunos ficaram apurados para a 7.ª MOSTRA NACIONAL de CIÊNCIA/21.º Concurso de Jovens Cientistas e Investigadores, realizada entre 30 de Maio e 1 de Junho de 2013, no Museu da Electricidade de Belém, sendo o único projecto de Ciências Exactas de alunos do Ensino Básico seleccionado para o evento, que contou com mais de 100 projectos submetidos por alunos dos Ensinos Básico, Secundário (a esmagadora maioria) e Técnico-Profissional.

A participação do Clube de Ciências na 7.ª MOSTRA NACIONAL de CIÊNCIA será dada a conhecer no próximo post.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda: materiais e metodologia do projecto

Após a parte teórica do projecto (ver aqui e aqui), a parte prática do mesmo consistiu essencialmente na construção de duas tábuas de Galton, uma com todos os 'pregos' (dita normal) e a outra sem um dos 'pregos' - tal como indicado no texto de Sir Karl Popper que serviu de mote ao projecto. As fotografias abaixo ilustram o trabalho de carpintaria executado pelos alunos na construção das duas tábuas de Galton:
Para a construção das tábuas de Galton, os alunos do Clube usaram como esquema de trabalho a figura abaixo [inch (polegada), 1 in = 2,54 cm], devidamente reescalada para o diâmetro das esferas usadas no projecto, tendo utilizado os seguintes materiais:
  1. 54 esferas metálicas de 1,5 cm Ø;
  2. 1 paquímetro metálico, para a medição do diâmetro das esferas;
  3. 2 bases de madeira contraplacada de dimensões 60 x 30 x 1 cm;
  4. pinos de madeira de 1,5 cm1 cm Ø, correspondendo aos ditos 'pregos' das tábuas de Galton (ver fotografias acima);
  5. pregos de cobre de 2 cm1,5 mm Ø e cola de madeira para fixar os pinos de madeira às tábuas de Galton [em vez de pregos, outra opção mais fácil de aplicar seria o uso de cola superforte];
  6. ripas de madeira aplainada (com 4,4 cm de altura), para servirem de bordos às tábuas de Galton (ver fotografia abaixo); 
  7. 4 divisores (em k-line e cartolina pretos), para dividirem a base das tábuas de Galton em 5 'caixas' de igual largura (ver fotografia abaixo);
  8. 2 arquivadores de dossiês (1 para cada tábua), utilizados como suporte de inclinação das tábuas de Galton;
  9. materiais vários de pintura e carpintaria para os acabamentos (spray de tinta preta, tintas várias, k-line preto, cola superforte, lixa, martelos, etc.)
Enquanto os alunos procederam à parte da carpintaria, os acabamentos finais ficaram sob responsabilidade do prof. coordenador, podendo ver-se, na figura ao lado, a tábua de Galton sem um dos 'pregos' finalizada. A localização do 'prego ausente' (assinalado a vermelho) resultou de um prego de cobre mal martelado que impossibilitou a colocação de um pino de madeira nesse local. A relação entre o diâmetro das esferas e o diâmetro dos pinos de madeira foi mantida muito próxima, dada a sua influência na largura das distribuições de probabilidade obtidas em tábuas de Galton, como se pode verificar no vídeo seguinte:
 
Mais detalhes sobre a construção de tábuas de Galton simples - com a habitual geometria triangular, que permite visualizar mais facilmente a relação da tábua de Galton com o triângulo de Pascal (ver aqui e aqui) - podem ser vistos no vídeo que se mostra a seguir:
 
 
Relativamente às tábuas construídas no Clube de Ciências, a fotografia abaixo mostra as duas lado a lado, bem como o grupo de alunos (Os Poppers) responsáveis pelo projecto.
Em termos metodológicos, e para além do óbvio trabalho de carpintaria, o projecto dividiu-se em três etapas, a saber:
  1. construção da tábua de Galton sem um dos 'pregos' e obtenção da respectiva distribuição de frequências dos resultados, com a realização de 8 séries de quedas das 54 esferas metálicas a partir do topo da tábua;
  2. construção da tábua de Galton com todos os 'pregos' (normal) e obtenção da respectiva distribuição de frequências dos resultados, repetindo o procedimento de queda das esferas referido no ponto anterior;
  3. realização do teste do qui-quadrado para comparação das distribuições de frequências obtidas com as duas tábuas de Galton, tendo o valor da variável estatística (o qui-quadrado) sido calculado de acordo com a fórmula apresentada no post de 12 de Julho.
Os resultados do teste estatístico do qui-quadrado, bem como as conclusões do projecto serão apresentados no próximo post.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda: o teste estatístico do qui-quadrado

No seguimento do post anterior, e de modo a poderem testar quão próximas (ou não) vão ser as distribuições das esferas nas duas tábuas de Galton, os alunos do grupo Os Poppers tiveram de aprender algumas noções sobre o teste estatístico do qui-quadrado, matéria dada na disciplina de Biologia do ensino secundário de países anglo-saxónicos como os EUA e Inglaterra, onde os alunos têm de aprender a testar predições quantitativas sobre sistemas biológicos.

De modo a manter tudo o mais simples possível, os alunos do Clube de Ciências aprenderam o teste do qui-quadrado a partir do livro Nuffield Science Calculations, dirigido a alunos ingleses dos 11-14 anos e 14-16 anos inscritos em cursos GCSE de Ciência.

qui-quadrado é, então, uma variável estatística calculada a partir do somatório das diferenças entre os resultados observados, Oi, e os resultados esperados, Ei, de acordo com a seguinte fórmula:
onde i = 1, 2, ..., k é o n.º de divisões (ou classes ou 'caixas') pelas quais se distribuem os vários resultados.
 Comparando o valor calculado com certos valores críticos (que dependem do nível de probabilidade e dos chamados 'graus de liberdade') é possível determinar quão bem os resultados observados se aproximam dos esperados. A tabela abaixo apresenta vários desses valores críticos, para diferentes níveis de probabilidade (em %) e graus de liberdade (g.l.):
O exercício seguinte, retirado do livro supracitado, pode mostrar como se aplica o teste do qui-quadrado e qual o significado dos 'graus de liberdade'.
 
Considere-se uma experiência simples com 96 bichos-de-conta contidos numa caixa dividida em duas metades, estando a metade A às escuras e a metade B iluminada. Com todas as outras variáveis controladas, o n.º observado de bichos-de-conta em cada uma das metades foi:

Metade A (às escuras): 73 bichos-de-conta   ||   Metade B (iluminada): 23 bichos-de-conta
 
Serão estes resultados devidos ao acaso? Se não, que conclusões se podem retirar da experiência?
 
RESOLUÇÃO: 
 
Dados:
Oescuro = 73; Oiluminado = 23
Eescuro = 48; Eiluminado = 48 (admitindo que os bichos-de-conta se distribuíram aleatoriamente pelas duas metades da caixa)

Calculando o valor do qui-quadrado, obtém-se:
onde 10,83 é o valor crítico da tabela para 1 grau de liberdade e um nível de probabilidade de 0,1%. O 'grau de liberdade' é a resposta à pergunta: "Se o animal não fez esta escolha, quantas mais estavam disponíveis?". Neste caso, existia apenas mais uma escolha ou grau de liberdade. O valor 0,1% representa a probabilidade de os resultados obtidos se deverem ao acaso, pelo que, com um nível de confiança de 99,9%, podemos concluir que outra razão, para além do acaso, foi responsável pelos resultados da experiência, podendo-se considerar que os bichos-de-conta preferem ambientes escuros.

No caso do projecto "Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda", as duas tábuas de Galton foram construídas com 5 divisões na base (todas com a mesma largura), pelo que, para cada esfera depositada numa dada divisão, mais 4 divisões estariam disponíveis - sendo por isso que, na experiência conduzida pelos alunos do Clube de Ciências, o número de graus de liberdade é de 4.

domingo, 7 de julho de 2013

Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda: introdução e objectivo do projecto

No início do ano lectivo, os alunos André Gonçalves, Daniel Domingues e Luís Miguel Gil (da turma 9.º/6.ª) aceitaram o desafio de levar por diante o projecto "Popper, a tábua de Galton e a experiência da dupla fenda", com o objectivo de responder a uma questão colocada por Sir Karl Popper (um dos mais importantes filósofos da Ciência do séc. XX) sobre a famosa experiência da dupla fenda feita com electrões (ou outras partículas submicroscópicas, como mostra o vídeo abaixo com moléculas de ftalocianina).


A ideia do projecto veio da leitura de um post, num fórum de física, onde se aborda a posição realista de Karl Popper sobre a experiência da dupla fenda, usando como analogia uma tábua de Galton (ver exemplo no vídeo abaixo), uma máquina simples construída por Sir Francis Galton para estudar a distribuição normal de probabilidades (uma das mais importantes em estatística).

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As ideias de Popper, enunciadas no seu livro A Teoria dos Quanta e o Cisma na Física (de 1982), encontram-se resumidas na citação abaixo (adaptada):
Considere-se, p. ex., uma vulgar tábua de Galton, simétrica, construída de tal modo que se fizermos descer por ela algumas esferas, estão formarão uma curva normal de destribuição. Essa curva representará a distribuição de probabilidades para cada experiência individual com cada uma das esferas de se alcançar um certo local possível de repouso no fundo da tábua.
"Pontapeemos" agora a tábua, digamos, elevando ligeiramente o seu lado esquerdo. Deste modo, pontapeamos também as propensões - a distribuição de probabilidades -, uma vez que passará a ser ligeiramente mais provável que cada uma das esferas alcance um ponto do lado direito da parte de baixo da tábua. E a propensão devolverá o pontapé: produzirá uma curva de esferas com uma configuração diferente se deixarmos estas descer e acumular-se.
 Ou, em vez disso, retiremos um prego da tábua. Isto irá alterar a probabilidade para cada experiência individual com cada uma das esferas, quer a esfera se aproxime efectivamente de onde retirámos o prego, ou não. (O que tem alguma semelhança com a experiência da dupla fenda, ainda que aqui não tenhamos sobreposição "ondas electrónicas", uma vez que podemos perguntar: "como é que a esfera 'sabe' que se retirou um prego se ela nunca se aproxima desse local?". A resposta é que a esfera não "sabe"; mas a tábua no seu todo "sabe" e altera a distribuição de probabilidades, ou propensão, para cada esfera, facto que pode ser testado por testes estatísticos.)
O autor do referido post continua o raciocínio de Popper considerando que esses testes seriam uma excelente experiência para alunos do ensino médio (3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário) realizarem, desafio esse que foi aceite pelos alunos do Clube de Ciências (organizados no grupo Os Poppers), resultando no seguinte objectivo de trabalho:

Realizar um teste estatístico simples (o teste do qui-quadrado) para verificar se a distribuição de esferas obtida para uma tábua de Galton sem um prego (que vai servir de análogo à experiência da dupla fenda) é significativamente diferente da distribuição de esferas obtida para uma tábua de Galton normal (que vai servir de análogo à experiência de difracção por uma única fenda), permitindo assim apoiar (ou não) as ideias de Popper sobre a experiência da dupla fenda. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Participação na Exposição AMADORA EDUCA 2013 (31 de Maio)

Acompanhando a prof.ª Marta Albuquerque (coordenadora do Programa Eco-escolas), e no seguimento de não terem conseguido concluir o seu projecto científico, no dia 31 de Maio, os alunos do Clube de Ciências Denis Santos, Mamadu Baldé e Tomás Francisco (da turma 9.º/6.ª) ajudaram a dinamizar o stand do Agrupamento Escolar na Exposição AMADORA EDUCA 2013, desempenhando de forma muito positiva o papel de monitores das experiências dos vários Clubes/Projectos da escola levadas para a Exposição.

Abaixo apresentam-se várias fotografias a documentarem as actividades realizadas no stand do Agrupamento Escolar, com especial ênfase para a prestação dos alunos do Clube, sendo de referir que os  telefones de cordel construídos no Clube de Ciências, pelo grupo de alunos do 7.º ano Os Comunicadorestiveram particular adesão por parte do público, especialmente dos mais novos.
1. A 'Ilha Mágica do Lido', local onde se realiza anualmente a Exposição AMADORA EDUCA.
2. Stand do Agrupamento Escolar (designado agora por Agrupamento Pioneiros da Aviação Portuguesa) decorado com o tema O Mar, da responsabilidade do 1.º ciclo.
3. Outra vista do stand do Agrupamento Escolar.
4. Banca do stand do Agrupamento com os vários trabalhos elaborados no Programa Eco-escolas, Clube de Ciências e Clube de Biologia da Escola Básica Roque Gameiro.
5. Pormenor da banca, evidenciando a participação do Clube de Ciências com os telefones de cordel construídos pelo grupo de alunos do 7.º ano Os Comunicadores.
6. Os alunos do Clube de Ciências, Denis Santos, Mamadu Baldé e Tomás Francisco, a prepararem um dos telefones de cordel para demonstração.
7. Alunos do 1.º ciclo a visitarem o stand do Agrupamento Escolar, e o aluno Mamadu Baldé com um dos telefones de cordel (em preparação para os alunos do 1.º ciclo).
8. Demonstração do funcionamento do telefone de cordel mostrado na fotografia anterior, pelo aluno Mamadu Baldé, com os alunos do 1.º ciclo.
9. Preparação da demonstração do funcionamento dum barco (protótipo) movido a energia solar, do Programa Eco-escolas, na pisicina do recinto.
10. Demonstração do funcionamento do protótipo da fotografia anterior.
11. Actividades desportivas disponíveis para o público mais jovem, realizadas durante o AMADORA EDUCA 2013.
12. Mais actividades lúdicas realizadas durante o AMADORA EDUCA 2013.